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25 de junho de 2013

O Papel do Psicólogo na Educação

A psicologia Escolar é uma área da Psicologia Aplicada que tem despertado várias reflexões acerca da identidade dos profissionais que atuam nesta área, principalmente da necessidade de redefinir qual o papel do psicólogo escolar. Ainda hoje, acredita-se que o papel do psicólogo escolar seja diagnosticar e "curar" os problemas de aprendizagem (um legado da psicometria) relacionados a fatores subjacentes ao indivíduo, desconsiderando as questões institucionais, históricas, culturais e sociais.

Alguns pesquisadores constataram que não há um perfil definido do psicólogo escolar, havendo uma grande distância entre sua atuação e as demandas solicitadas no cotidiano escolar. Muitos acreditam que o psicólogo escolar é um solucionador de problemas imediatos, principalmente os relacionados à aprendizagem escolar ou comportamentais, como por exemplo: crianças agressivas, com dificuldades de concentração, sexualidade exacerbada entre outras questões. Todos esses aspectos devem ser levados em conta, naturalmente, mas com outro olhar, mais amplo, onde se avalia as relações entre a escola, família, professores e os docentes.

As dificuldades da atuação do psicólogo escolar situam-se em quatro categorias: individuais, profissionais, institucionais e sociais. Tais categorias, apesar de serem independentes, estão intrinsecamente relacionadas. Seria difícil classificar em quais categorias as dificuldades estariam localizadas.

Nas categorias individuais estariam incluídos os seguintes aspectos:

Insegurança pessoal, fraco envolvimento com o seu papel, dificuldades de comunicação, falta de motivação, postura onipotente, dificuldade em lidar com situações de frustração profissional.

Nas categorias profissionais:

Precária formação profissional, pouco conhecimento do campo de trabalho e de seu espaço profissional, baixo salário, indiferenciação entre o trabalho clínico e aquele exercido na escola.

Na categoria institucional:

Resistência à aceitação desse profissional percebido como uma figura ameaçadora e persecutória; superposição de papéis (com supervisão e/ou orientador educacional); falta de liberdade de ação dentro da escola, ambivalência institucional quanto à sua atuação.

Na categoria social são enquadradas dificuldades dos próprios grupos sociais, problema econômicos, pobreza e carências de clientela e do sistema de ensino.

As principais atribuições do psicólogo escolar são:

  • Acessoria na elaboração, implementação e avaliação de projetos pedagógicos coerentes com os vários segmentos da escola;
  • Avaliação dos alunos de acordo com os projetos implementados;
  • Análise e intervenção relacionadas às interações em sala de aula;
  • Desenvolvimento de programas junto aos pais, orientando sobre questões facilitadoras de aprendizagem;
  • Diagnóstico e encaminhamento de problemas relativos a queixas escolares.


Além disso, caberia ao psicólogo escolar lidar com a subjetividade e as relações interpessoais, proporcionando aos docentes e demais profissionais da Educação uma reflexão sobre sua prática educativa. Para tal, seria importante que o psicólogo escolar tivesse um olhar e uma atuação interdisciplinar, e possibilitar ao professor acesso ao conhecimento psicológico relevantes para sua prática. As práticas psicológicas que orientam a atuação profissional serão, necessariamente, re-significadas se apoiadas em teorias que enfatizam os fatores objetivos e subjetivos do processo ensinar-aprender, o contexto sócio-cultural, a importância das relações inter e intra-subjetivas professor-aluno, o aprendiz como sujeito do conhecimento e o papel social da escola, na formação do cidadão. A re-significação da atuação profissional refere-se à apropriação de referenciais teóricos que levem em consideração os processos interativos, conscientes e inconscientes constitutivos dos sujeitos em processo de ensino, de desenvolvimento e aprendizagem, em uma perspectiva  sócio-histórica, cujo foco não é o indivíduo, mas os sujeitos em relação.

É fundamental que o psicólogo escolar considere alguns aspectos antes de esboçar uma proposta de trabalho, dentre elas: Conhecer a realidade sócio-econômica onde se desenrola a ação educativa; as características culturais da população envolvida; a dinâmica da instituição; analisar os objetivos da instituição e os processos de ensino-aprendizagem.

É preciso encontrar alternativas criativas que favoreçam oportunidades de interação social, de construção cognitiva e de linguagem na escola. O que garantirá ao psicólogo eficácia de ação será sua adequação às características e necessidades das populações. Cada instituição tem seu próprio discurso, mas cabe ao psicólogo descobrir de que maneira os sujeitos se relacionam e se escutam, possibilitando novas significações diante dos fatos, ditos e não-ditos.

O psicólogo escolar ao tecer um novo olhar sobre as relações que se estabelecem ao longo de sua prática, contribui para o entendimento de diferentes formas de subjetividade construídas e mediadas pela relação dialógica, seja entre corpo docente e discente, entre a instituição e os sujeitos que dela fazem parte, entre pais e professores, entre pais e alunos e entre os próprios alunos. É este olhar mais "humanista" que favorece a descoberta de potencialidades, muitas das vezes, encobertas, adormecidas e impedidas de se manifestarem.


Cecília Brito
Psicóloga, Pós-graduada em Educação Infantil e Neuropsicologia


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