Aprenda a identificar os sintomas do infarto

A morte do ator José Wilker, 69 anos, vítima de um infarto, ocorrido no último sábado (5), levantou a seguinte questão: antes de parar de funcionar de vez, o coração não emite nenhum sinal? Segundo o cardiologista Marcelo Cantarelli, coordenador da campanha “Coração Alerta”, investigando de perto, ou seja conversando com os familiares, geralmente a vítima pode ter se queixado de uma queimação na boca do estômago há alguns dias, uma dor nas costas, mas que não foi levada muito a sério. E é aí que mora o problema.

Quais são os sinais mais típicos de que o coração não está bem? Como identificá-los?

Marcelo Cantarelli: Normalmente, entre uma ou até duas semanas, a pessoa passa a ter alguns sintomas que ela não vai dar muita bola, pois são passageiros. Uma angina leve, ou então, é muito comum os indivíduos sentirem uma dor no estômago, uma dor  fugaz,que não passa em dez, vinte minutos, uma sensação de enjoo, mal-estar. A pessoa pode até ir ao pronto-socorro, ser medicada, mas dificilmente vai associar a um caso de infarto. Aí, alguns dias depois, ela acaba infartando.  Por isso, a dica é ficar atento, pois se é algo que você nunca sentiu, talvez seja necessário investigar. Procure um médico para saber se o seu coração está bem. Pois esses sintomas, podem indicar que o músculo cardíaco não está recebendo sangue de maneira adequada.

Qual a diferença entre um infarto fulminante e um normal?

Marcello Cantarelli: Infarto fulminante é um termo criado justamente para designar o infarto agudo do miocárdio, ou seja, quando o indivíduo não consegue um atendimento rápido, emergencial e morre antes de chegar ao hospital.

Nesses casos, eles são infartos muito grandes que entopem o início da coronária, na região do tronco, aonde nascem as artérias mesmo. São entupimentos importantes, que podem, inclusive, desencadear uma arritmia fatal. Se essa arritmia aparecer muito precocemente, o coração simplesmente para. Então, se o músculo não for reanimado, o coração pode não voltar. Por isso dizemos fulminante. Imagine as artérias como os galhos de uma árvore. Se cortamos as ramificações da raiz, o estrago é enorme e a árvore pode morrer. Agora se for os troncos superiores, o problema pode ser revertido.

No “normal”, se podemos assim dizer, a obstrução existe, mas ela pode não ser importante. Mas, por algum motivo, a placa de gordura presente na parade dessa artéria se rompe. Para tentar “fechar” essa rachadura que se formou no vaso, elementos do sangue começam a se juntar na artéria, formando coágulos que impedirão a passagem do sangue. Isso vai aumentando a obstrução. O indivíduo pode sentir um dor no peito, que se irradia pelo braço. É o sintoma mais clássico. Então, quando a artéria se fecha de vez, acontece o infarto. Por isso a importância de correr imediatamente para o hospital.

Mas como dores tão diferentes podem sugerir um infarto?

O coração é um órgão tridimensional. Ele está apoiodo sob o diafragma, então encosta um pouquinho na parte de trás e da frente do nosso tórax. O tórax possui nervos que cruzam entre as costelas. Dependendo da parede do coração que está sofrendo infarto, da frente, de baixo, de trás, pode acarretar um sintoma diferente. E essa dor pode irradiar para o braço, subir para o pescoço.

Além disso, o cérebro decodifica a dor como se viesse de outro órgão cuja inervação passa próximo do coração.