Impacto social da represa de Furnas não deve ser ignorado

Para o secretário executivo da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago) e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Entorno do Lago de Furnas, Fausto Costa, a situação da represa é atípica. “Nesta época, o reservatório deveria estar cheio para suportar a estiagem, que vai até novembro. O governo deve passar a investir em fontes alternativas de geração de energia para não sacrificar as hidrelétricas.”

Com relação à notificação enviada pela Associação de Turismo, Piscicultura e Usuários do Lago de Furnas (Aquatur) à presidente Dilma Rousseff na última semana, a respeito da liberação da água de Furnas para geração de energia no estado de São Paulo, Fausto salienta que a represa tem que cumprir a sua função, que é a de abastecer o país. Contudo, ele ressalta que, ao longo dos anos, o lago adquiriu outros usos, previstos na legislação, que não podem ser ignorados. “A água de Furnas atinge hoje uma cadeia de mais de 50 segmentos. É um impacto social e econômico grande, que deve ser discutido.”

Segundo o prefeito de Capitólio, José Eduardo Terra, a prestação de serviços corresponde a 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do município, o que está diretamente ligado à atividade turística. “O governo tem que começar a discutir com os municípios uma forma de compatibilizar esses usos com a geração de energia. Sabemos que esta é a função da represa, mas o turismo e a piscicultura têm gerado renda para diversas famílias.”