Morre 3ª vítima de acidente com carro da polícia rodoviária em Varginha



Morreu nesta segunda-feira (14) a terceira vítima do acidente com uma viatura da Polícia Militar Rodoviária em Varginha no dia 16 de março. Wanderlei Valeriano de Souza, de 51 anos, que estava internado no Hospital Regional, não resistiu e morreu. Segundo o serviço de luto municipal, o velório acontece na parte da tarde e o enterro está previsto para as 17h.

Outras duas vítimas morreram dias após o acidente. O motociclista Ferdinando Balbino, de 37 anos, atingido pelo carro da polícia durante perseguição policial, morreu no dia 23 de março depois de ficar internado em estado grave por uma semana no CTI do Hospital Regional. Já Marco Antônio Silvério, de 57 anos, que estava internado no Hospital Regional desde o dia do acidente, morreu no dia 6 de abril.

Familiares contestam versão oficial

Os familiares das vítimas do atropelamento envolvendo uma viatura da Polícia Militar Rodoviária contestam o boletim de ocorrência apresentado pela polícia. No documento consta que a viatura foi arremessada na calçada depois de bater em uma motocicleta que transportava botijões de gás. No acidente, quatro pessoas foram atingidas.

Imagens da câmera de segurança do galpão de uma igreja flagraram o momento da perseguição entre a polícia e um carro que teria escapado de uma blitz. Os dois veículos passam pelo cruzamento em alta velocidade. É possível ver que a viatura chega a curvar no trajeto, quase perdendo o controle ao fazer a curva, e em seguida continua até o outro trevo onde ocorreu o acidente.

Os familiares contestam a versão que está no boletim de ocorrência do acidente, afirmando que seria impossível a motocicleta jogar a viatura contra a calçada.

"Não tem como um triciclo com oito botijões arremessar uma viatura. Nós vamos à Justiça sim, nós queremos nossos direitos, é mais do que justo, não só uma família, porque acabou com várias famílias. Há 20 dias ninguém sabe o que é dormir e comer direito, só estamos nessa correria do acidente", diz o genro de uma das vítimas.


O Acidente

Segundo a polícia, os militares faziam uma blitz rotineira na MG-167, próximo à passarela de pedestres, na manhã do domingo, dia 16 de março, quando um carro não obedeceu o sinal de parada e fugiu. A viatura seguiu em perseguição ao veículo. No cruzamento da Avenida Plínio Salgado com a Rua Dr. Antônio Francisco de Oliveira, no bairro Bom Pastor, o carro da polícia rodoviária atingiu um motociclista que estava na rua e então invadiu a calçada, onde três pessoas conversavam.

Os dois militares que estavam no carro da PMR foram levados para o Hospital Humanitas no domingo, mas liberados no mesmo dia. Um deles foi atendido com lesões na cabeça e em um dos braços e o outro sofreu uma lesão na perna.

As outras quatro pessoas foram levadas para o pronto-atendimento do Hospital Bom Pastor. Três foram transferidas posteriormente para o Centro de Terapia Intensiva do Hospital Regional de Varginha. A Polícia Civil abriu inquérito na segunda-feira, dia 17 de março, para apurar as causas do acidente.

O motociclista Ferdinando Balbino, de 37 anos, morreu no dia 23 de março depois de ficar internado em estado grave por uma semana no CTI do Hospital Regional. Já Marcos Antônio Silvério, de 57 anos, que estava internado no Hospital Regional em estado grave desde o dia do acidente, morreu na tarde do dia 6 de abril. O homem, que ficou preso embaixo do carro da polícia, fraturou sete costelas, o braço, a bacia, a perna esquerda e teve que amputar a direita. Silvério estava em coma induzido.

Outra vítima do acidente permanece internada. José Luiz Anacleto de 61 anos, mais conhecido como Pelé, trabalhava em uma borracharia e estava conversando com os amigos na calçada. Ele quebrou as pernas, passou por cirurgias e ainda está em tratamento devido a uma infecção na perna. O quadro de saúde dele é estável, mas não existe previsão de alta.

Polícia diz que ajuda

O major Ageu Evangelista Ferreira, comandante da Companhia de Trânsito Rodoviário da 6ª Região da Polícia Militar, falou sobre o caso. Segundo ele, embora os familiares das vítimas reclamem, a polícia está ajudando as famílias dos feridos.

"Nós designamos uma comissão para acompanhar de perto, todos os dias, o apoio, a solidariedade, não somente aos militares que estão sendo acompanhados com psicólogos, médicos, como também as famílias dos que sofreram o acidente. Constantemente os militares estão indo, fazendo visitas, verificando as necessidades deles. Nós também estamos orientando as vítimas sobre como proceder para receber o segudo Dpvat, que eles têm direito", diz o comandante da 6ª Cia Independente de Meio Ambiente e Trânsito, Ageu Evangelista Ferreira.