UMA ÁRVORE SEM FRUTOS ~ Coluna ArteNoMovimento

Você planta uma semente e ela quase sempre dá o seu devido fruto. Popularmente, você colhe o que você planta: problemas, ressacas, amantes, fortunas, amigos, inimigos, doenças e por aí vai. Mas e na política: você colhe o que você planta?

Porque você semeia, quero dizer, vota naquele sujeito diante das suas promessas e depois fomenta aquela “planta” fazendo o seu papel de cidadão, sobretudo pagando impostos, taxas e mais impostos. Porém, raramente o voto dá frutos. E sabemos que só burro investe sabendo que não terá retorno. 

Então veja bem! Saiu uma pesquisa que comprova o óbvio. Pela quinta vez consecutiva, o Brasil é o país que proporciona o pior retorno de valores arrecadados com tributos em qualidade de vida para a sua população. A descoberta é do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

Vale lembrar que trabalhamos quase metade do ano só para pagar impostos. Isso mesmo, até agora você trabalhou para alimentar eles, os representantes do povo brasileiro; para não falar outra coisa. E a qualidade da educação, do transporte público, dos hospitais e, principalmente, dos nossos políticos é péssima. Muitos estão com o rabo sujo e aparecem no horário nobre falando em transparência, melhorias...

Então qual a solução? O jornalista Ricardo Boechat certa vez deu uma sugestão interessante: ninguém vota e vamos ver o que vai acontecer. Será esse o caminho?  Penso que cada bairro deveria ter uma espécie de Tribunal Racional. Diante de um problema no bairro, aquele vereador que tanto pediu voto naquele bairro é convocado. O problema é apresentado e ele tem 3 dias para resolver ou atinar uma solução. Não vale mais aquele papo furado: "estamos verificando com o órgão competente para viabilizar um estudo detalhado do processo, solucionando assim um possível reparo do problema".  Nada disso. O papo tem que ser reto. No bairro onde moro, por exemplo, há dois anos o pessoal da terceira idade espera por equipamentos de ginástica, que serão instalados no parque localizado no próprio bairro. Cada hora pinta uma desculpa e nada. No posto de saúde, outro exemplo, desde Novembro de 2013 falta um remédio e nada. Só promessas. Chega! Preciso de uma solução, você tem alguma?


Marcelo Andrade é jornalista na produtoramc, autor do livro O Evangelho das Ruas e editor de conteúdo no Projeto ArtenoMovimento.