Dica Veterinária: Traqueobronquite Infecciosa Canina ("Tosse dos Canis")

Estamos no outono, o frio já tá aí!

E uma das doenças que aumentam sua incidência nessa época dentre os cãezinhos é a Tosse dos Canis, chamada oficialmente de Traqueobronquite Infecciosa, e, em alguns casos, de Bordetelose (a Bordetella é um tipo de bactéria que pode ocasionar essa doença). O público leigo costuma chamar de "Gripe Canina", mas na verdade ela difere da gripe humana que conhecemos, então tal nomenclatura evitamos usar na clínica veterinária.

Achei esse artigo do Dr. Robert G. Sherding bastante elucidativo, e resolvi postar aqui para vocês! Fiz algumas adaptaçõezinhas só para facilitar o entendimento.

Traqueobronquite Infecciosa Canina
("Complexo da Tosse dos Canis")

A Traqueobronquite Infecciosa Canina (TIC) refere-se a uma coleção de doenças infecciosas altamente contagiosas do trato respiratório canino, que causa traqueobronquite e início súbito de uma tosse curta e repetida paroxística que dura de vários dias a algumas semanas.

ETIOLOGIA:

Agentes Etiológicos Incriminados:
- Bordetella bronchiseptica (bactéria)
- Vírus da parainfluenza canina (VPIC)
- Adenovírus caninos dos tipos 1 e 2 (AVC-1 e AVC-2)
- Herpesvírus canino
- Reovírus caninos dos tipos 1, 2 e 3
- Micoplasmas e ureaplasmas

TRANSMISSÃO:

A TIC é altamente contagiosa através de disseminação por aerossol (tosse e espirros); portanto, torna-se comum onde quer que se abriguem ou se contenham cães juntos (principalmente canis, hotel, abrigos de animais, lojas de animais, hospitais veterinários e instalações de pesquisa). Esses agentes também podem ser transmitidos por fomitos (por exemplo: funcionários, gaiolas, comedouros e bebedouros).
O período de incubação é de geralmente 5 a 7 dias (variação de 3 a 10 dias).

PATOGÊNESE:

As infecções mistas (mais de um agente) são comuns e possuem um efeito sinergístico na produção da doença clínica. Individualmente, esses agentes infecciosos causam uma doença muito suave ou são albergados nas vias aéreas dos portadores assintomáticos. Os isolados mais freqüentes na TIC são o vírus da parainfluenza e a Bordetella bronchiseptica.
O alvo primário desses agentes é o epitélio das vias aéreas superiores. O resultado é uma lesão epitelial, uma inflamação aguda e uma disfunção dos cílios das vias aéreas.
Nos cãezinhos e nos animais imunocomprometidos, a invasão bacteriana secundária do trato respiratório inferior pode causar pneumonia de risco de vida.

SINAIS CLÍNICOS:

Forma Suave
A forma suave de TIC é a mais comum. Ocorre um início agudo de tosse curta e repetida de som seco, devida à traqueobronquite. (Nota: mesmo que a tosse seja freqüentemente
descrita como seca, a TIC se caracteriza por produção de muco aumentada).
A tosse é freqüentemente acompanhada de engasgo ou movimentos de esforço de vômito que podem ser confundidos com vômito ou sufocamento pelo proprietário.
A tosse pode ser alta em volume devido a laringite e a inchaço das cordas vocais. Pode ser mais freqüente durante um exercício, excitação ou alterações na temperatura e umidade do ar respirado.
A tosse é facilmente disparada com palpação traqueal ou puxando-se a coleira. Observa-se ocasionalmente uma descarga nasocular serosa suave. Tipicamente, o cão continua a comer, permanece ativo e alerta e não fica febril.
O curso clínico é de geralmente 7 a 14 dias.
Forma Severa
A forma severa da TIC é menos comum e geralmente resulta de infecções mistas em cãezinhos não vacinados, especialmente provenientes de ambientes de lojas e de abrigo de animais. A
broncopneumonia bacteriana complicante parece ser o determinante da severidade.
Pode se encontrar presente uma tosse produtiva devida à traqueobronquite acrescida de broncopneumonia. Podem se encontrar presentes anorexia, depressão e febre. Pode se encontrar presente uma descarga nasocular (rinite e conjuntivite serosas ou mucopurulentas).
A forma severa é difícil de distinguir da cinomose e pode algumas vezes ser fatal.

DIAGNÓSTICO:

A TIC é geralmente diagnosticada com evidências circunstanciais dos sinais clínicos e de uma história de exposição. Os hemogramas, as radiografias e as citologias das vias aéreas geralmente não são dignas de nota ou revelam achados inespecíficos.

TRATAMENTO:

No caso de forma suave: como esta forma é tipicamente autolimitante em 7 a 14 dias, os cães com sinais suaves não exigem necessariamente terapia específica. Porém, cada caso deve ser avaliado pelo médico veterinário, para que se evite a evolução da doença para a forma severa.

No caso de forma severa: como o envolvimento do trato respiratório inferior pode ser fatal, tratar agressivamente quanto a broncopneumonia bacteriana. Evitar antitussígenos. Sempre que possível, tratar a TIC em base ambulatorial para evitar uma transmissão para outros animais internados.
- Antibióticos: por nebulização ou uso sistêmico
- Broncodilatadores
- Antitussígenos: somente em casos específicos
- Terapia de suporte

IMUNIZAÇÃO:

Atualmente possuímos no Brasil 3 tipos de vacinas contra os agentes dessa doença:
- Vacinas injetáveis: Pneumodog, Bronchi-Guard
- Vacina Intra-nasal: Bronchi-Shield

Para primo-vacinação de filhotes ou adultos: duas doses com intervalos de 21-30 dias
Reforço anual para adultos já previamente vacinados

PREVENÇÃO:

No Canil:
Isole os animais infectados (que tossirem).
Use uma higiene zelosa para evitar a disseminação do fomito.
Assegure uma ventilação apropriada no canil (pelo menos 12 trocas de ar por hora; 15 a 20 é melhor).
Use desinfetantes como o hipoclorito de sódio, clorexidina e cloreto de benzalcônio.
Em casa:
Evitar contato com animais doentes.
Realizar a vacinação preventiva.
Consultar o médico veterinário a qualquer sintoma de doença.


Sandro Eduardo de Almeida, natural de Varginha, medico veterinário graduado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro no ano de 2000, proprietário da Clinica Veterinária Cão e Cia.