Localizado trabalhador desaparecido desde agosto de 2013

Suspeita era de que ele tinha sido sequestrado por fazendeiro em Varginha.

Fazendeiro suspeito de trabalho escravo estava preso; no detalhe, lavrador desaparecido.

A Polícia Federal localizou o trabalhador rural Élio dos Santos, que estava desaparecido desde agosto do ano passado. Élio estava sob responsabilidade do Ministério do Trabalho em Varginha após uma denúncia de que o trabalhador vivia em regime análogo à escravidão. Ele desapareceu após ser retirado do hotel pelo patrão dele, o fazendeiro Paulo Lima. Um email divulgado para a imprensa pela Polícia Federal informa que o trabalhador rural foi localizado no domingo (18) sem os documentos pessoais em uma cidade que fica na divisa entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

O trabalhador havia sido visto pela última vez em um dos guichês da rodoviária em Varginha, ao lado de um homem, que seria o fazendeiro Paulo Lima. As imagens de uma câmera de segurança da Guarda Municipal mostravam eles comprando uma passagem em um guichê da rodoviária.

Segundo a Polícia Federal, o trabalhador irá para a sede do órgão em Varginha para prestar depoimento.

Dono de fazenda preso

O fazendeiro Paulo Alves Lima, de 59 anos, suspeito de manter funcionários em regime de trabalho escravo, já respondeu por aliciamento de trabalhadores e estelionato. Segundo o Ministério do Trabalho, Lima recebeu várias notificações por desobediência às leis trabalhistas. O fazendeiro estava preso desde o dia 23 de agosto no Presídio de Varginha e foi solto no início de novembro. Ele é suspeito de ser responsável pelo desaparecimento do trabalhador rural Élio José dos Santos, de 41 anos, que denunciou os maus-tratos ao Ministério do Trabalho.

A polícia teve acesso às imagens que mostram o trabalhador entrando sozinho em um ônibus para Lavras e, e desde então, a polícia investigava o rumo que ele teria tomado. Nas imagens feitas no dia em que o lavrador desapareceu, dois homens aparecem comprando passagem em frente a um guichê da rodoviária por volta das 13h. Testemunhas que viram o fazendeiro e o lavrador saindo do hotel afirmam que eles usavam roupas idênticas às dos dois homens que aparecem na gravação. Para o delegado responsável pelo caso, João Carlos Giroto, o trabalhador foi coagido a sair da cidade.

Em um dos processos a que responde, Lima é acusado de trazer 37 trabalhadores e 17 crianças e adolescentes da cidade de Moreira Sales (PR) para trabalhar na fazenda em Campanha. Ele foi condenado a uma multa de R$ 25 mil.

Outro trabalhador, que foi resgatado da fazenda em Campanha, ficou sob a proteção da Polícia Federal e foi encaminhado para uma instituição cujo nome não foi divulgado. Ele passou por tratamentos psicológicos e é considerado uma importante testemunha nas investigações dos crimes que teriam sido cometidos pelo fazendeiro.

Ocupação Fazenda Paraíso

Após a prisão de Paulo Lima, a fazenda dele foi ocupada no dia 4 de setembro do ano passado pelo Movimento Sem Terra, que alegava que as terras eram improdutivas. A direção do movimento queria que a fazenda fosse desapropriada e destinada à reforma agrária. Cerca de 200 famílias ficaram acampadas no local. Elas vieram do Sul de Minas e de outras regiões de Minas Gerais. Os integrantes do movimento ocuparam toda a área da fazenda e improvisaram acomodações.

Mulheres e crianças na ocupação do MST em fazenda de Campanha, MG

Um dos argumentos utilizados pelo MST para que a fazenda fosse destinada à reforma agrária é de que há uma PEC, Proposta de Emenda à Constituição, em tramitação no Congresso, para que propriedades que pratiquem trabalho escravo sejam colocadas para a reforma agrária. A família de Paulo Lima alegou que a fazenda era produtiva, já que eles plantam café e criam gado no local. Um boletim de ocorrência foi registrado e a família entrou na Justiça com um pedido de reintegração de posse.

Após dois dias de negociações com membros do Ministério do Trabalho e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a ocupação da fazenda terminou na tarde do dia 6 de setembro. Para que a propriedade fosse desocupada, o MTE se comprometeu a fiscalizar fazendas da região que segundo os Sem Terra, praticam trabalho escravo.

G1