Varginhense Artur Guidugli participa de homenagem ao cantor Milton Nascimento

O Coral da Universidade Federal do Ceará encerrou as 
apresentações do espetáculo Menino, com o repertório 
de Milton Nascimento, com sua ilustre presença.


O Coral da Universidade Federal do Ceará (UFC) encerrou as apresentações do espetáculo Menino, com o repertório do compositor – mais mineiro que carioca – Milton Nascimento. O grupo, que encenou 30 vezes a montagem no teatro do Centro Dragão do Mar, alimentou um sonho: fechar a última temporada tendo na plateia o próprio homenageado.

O Varginhense Artur Guidugli Mendonça participou de todo trabalho de preparação para apresentação, Artur é músico e produtor cultural, graduando em música pela UFC,  tem trabalho autoral com sua banda “Capotes Pretos da Terra de Marfim” onde é baterista. Também participou do programa “Esquenta” onde cantou a música Beijinho no ombro da cantora Valeska Popozuda em versão bossa nova. Ultimamente Artur vem se dedicando ao seu canal junto com seus parceiros no youtube “Sem retorno”, onde cria e toca nos vídeos.

Apesar de ter sido uma apresentação destinada estritamente a convidados, a fila de entrada do teatro cresceu durante uma hora de espera, até ser confirmada a chegada de Milton ao Dragão do Mar. Expectativa dobrada. O compositor, antes de acomodar-se, com a famosa timidez e um sorriso de canto de boca, foi recebido com aplausos. Calado entrou.

No repertório, canções como Morro Velho, O que foi feito deverá, Maria, Maria, Menino, Nada será como antes e Travessia. Milton, aos 71 anos, assistiu atento a todos os detalhes, mas, acostumado a homenagens, sem esboçar emoções redundantes.

O “Menino” ganhou vida na voz de 36 cantores, entre eles, a contralto Carolina Areal, que vestiu o personagem central da história cantada. No rosto de cada um deles, a tensão natural da responsabilidade de cantar diante da lenda viva da Música Popular Brasileira. Com 19 canções, o espetáculo foi naturalmente aplaudido de pé e encerrou, não antes da hora, com as falas do regente e do diretor do coral, Elvis Matos e Erwin Schrader, que deram ao homenageado o status de “professor Nascimento” e aproveitaram a deixa para cobrar que a música esteja mais presente na formação básica e superior das escolas brasileiras.

Milton Nascimento foi chamado ao palco para cantar, junto ao coral, uma canção que não estava programada, De magia de dança e pés, mas serviu à ocasião. De novo (e talvez), a famosa timidez subiu junto e uma das vozes mais amadas do país não quis conversa com microfone, nem cantou tudo. Ao final, no calor dos aplausos, Milton abraçou o músico Varginhense Artur Guidugli, as cortinas se fecharam e… Calado saiu. E a maior lição do mestre para o coral que trabalhou dois anos na montagem, mais uma vez, veio da alma: nada será como antes, amanhã.

Vanderlei Silva Junior