Coluna - Ka entre Nós, por Lucrécia Santos - 29/07/2014

Instinto materno

Era noite e o casal resolveu sair para fazer umas compras no shopping.
Embora à esposa tivesse insistido com o marido para irem de carro, temendo a violência das ruas, ele a convenceu que deveriam ir a pé. A rua estava bastante deserta e logo o casal avistou uma jovem, andando sozinha, mais à frente. 
Dois rapazes, visivelmente mal-intencionados, que surgiram não se sabe de onde, passaram a seguir a jovem para, talvez, a assaltar na primeira oportunidade que surgisse. Percebendo a situação, a esposa chamou a atenção do marido para o risco que a garota estava correndo. Sem titubear, segurou o braço do esposo e apressaram o passo. Antecipando-se aos suspeitos, num gesto instintivo, aquela mãe colocou a mão sobre o ombro da moça e a conduziu como se fossem velhas conhecidas. 
A garota estava amedrontada, pois já havia notado que estava sendo seguida, mas não sabia o que fazer, e por isso aceitou aquela ajuda providencial.
Vinda de uma cidade do interior do estado, para fazer vestibular na capital, a menina não conhecia os perigos de se andar à noite, principalmente numa rua quase deserta. Estava indo ao supermercado comprar alimentos para preparar seu jantar, sem desconfiar dos perigos que a rondavam. 
 “Ao ver a moça, lembrei-me de uma de nossas filhas e corri para socorrê-la", disse-nos aquela jovem mãe. O instinto materno falou alto e ela evitou que uma jovem, que sequer conhecia, fosse assaltada, agredida, violentada, morta.
E a mãe da garota, que talvez estivesse em casa, na cidade distante, rogando a Deus que protegesse sua filha na capital, teve atendida a sua oração.
São tantas desgraças que acontecem, com a onda de violência que assola a sociedade, que certamente os pais ficam preocupados com os filhos distantes.
Muitos saem de casa para uma festa, para o trabalho ou para outra atividade qualquer, e não retornam jamais aos braços da família...
É por essa razão que gestos como o dessa mãe, que teve a coragem de se antecipar aos malfeitores e salvar a garota de uma desgraça, são considerados heroicos.
Talvez algumas pessoas pensem que hoje em dia não convém se expor ao perigo, pois se corre riscos também. Sem qualquer apologia à temeridade, os pequenos gestos de coragem podem mudar o rumo de uma vida. Quando o instinto maternal ou o instinto de fraternidade fala mais alto, podemos conseguir grandes resultados, sem exposição irrefletida ao perigo.
Basta que andemos atentos, como filhos da luz e não como filhos da indiferença. Basta que façamos o que gostaríamos que fizessem conosco ou com um ser amado nosso.
Muitas vezes Deus nos coloca no caminho de alguém para ajudar, já que é através dos homens que Deus auxilia e socorre o homem. Importante pensar isso com carinho, como fez aquela mãe ao ver a jovem correndo perigo: "podia ser minha filha". Depois de pensar, agir, movimentar os passos na direção certa, que é sempre a direção do bem.
Pense nisso! Você perceberá que em muitas situações do dia-a-dia uma atitude sua pode fazer a diferença.
Muita diferença mesmo...

Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.
1 Pedro 5:7

O SENHOR é quem vai adiante de ti; ele será contigo, não te deixará, nem te
desamparará; não temas, nem te atemorizes. Deuteronômio 31:8