Governo admite PIB menor e inflação mais alta em 2014

O governo reduziu de 2,5% para 1,8% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, segundo o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, divulgado nesta terça-feira. No documento, elaborado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, o governo elevou também para 6,2% a projeção de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, frente aos 5,6% estimados anteriormente — aproximando-se do teto da meta, que é de 6,5%. Trata-se da primeira vez no ano que o governo reduz a projeção de crescimento. Porém, trata-se da terceira alta nas estimativas de inflação. No primeiro relatório de 2014, a previsão era de IPCA a 5,3% no ano.

Receitas extraordinárias — O governo calculou ainda que as receitas extraordinárias somarão 27,02 bilhões de reais entre julho e dezembro deste ano, acima dos pouco mais de 24 bilhões de reais esperados para o período de maio a dezembro. Segundo o documento, no novo valor estão incluídos 18 bilhões de reais distribuídos a partir de agosto de 2014 e que se referem, entre outros, ao Refis — o programa de parcelamento de débitos tributários. No último dia 10, o secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, havia informado que o Refis geraria receita extra de 15 bilhões de reais neste ano.

Sem mencionar projeções com dividendos e concessões, o governo informou também que já incorporou às receitas não administradas os 2 bilhões de reais referentes a pagamento de bônus da Petrobras neste ano pela assinatura do direito da estatal explorar óleo excedente em áreas do pré-sal.

Cenário — Os relatórios divulgados pelas duas pastas não costumam servir como referência para o mercado. Não à toa, na segunda-feira, o relatório Focus trouxe, pela primeira vez no ano, uma projeção média de expansão do PIB em 2014 abaixo de 1%, uma cifra bem menos otimista que a do governo. Os economistas ouvidos pelo Banco Central também pioraram suas projeções para a produção industrial e esperam agora contração de 1,15% neste ano.

Além disso, diferente da previsão de inflação divulgada nesta terça, os economistas ouvidos pelo BC projetam o IPCA muito mais próximo do teto da meta, a 6,44% em dezembro.

Tanto pessimismo é justificado pelos indicadores nada animadores divulgados nas últimas semanas. Na quinta-feira passada, o BC apontou a queda de 0,18%, em maio, do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB. O indicador passou de 147,14 pontos em abril para 146,88 pontos no mês seguinte na série dessazonalizada — o menor nível do ano justamente no mês que antecedeu a Copa do Mundo.

Outro indicador que pesou na revisão das expectativas foi o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O país registrou abertura de apenas 25.363 vagas formais em junho, segundo o Ministério do Trabalho. O número é 79,5% inferior ao registrado no mesmo mês de 2013 e está abaixo da mediana das expectativas dos analistas consultados, que estimavam a criação de 82 mil vagas.

Além disso, a indústria apresentou retração de 0,6% em maio em relação a abril, e recuou 3,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em ambas as relações, este é o terceiro resultado negativo consecutivo.