Seca em Furnas causa prejuízos para agricultores e criadores de peixes

Estiagem baixou o nível da represa, que opera com 29% da capacidade.


A estiagem baixou o nível da represa de Furnas, em Minas Gerais, que está operando com apenas 29% da capacidade. Sem água suficiente, agricultores e criadores de peixe estão tendo prejuízo.

A placa na represa diz que é permitido nadar, mas a água está tão baixa no reservatório que só é possível caminhar. Uma ponte que estava submersa desde 1962, quando a represa foi criada, reapareceu.

O local onde o criador de peixes Edminlson Raimundo da Silva, do município de Areado, mantinha  90 tanques com tilápias secou e foi preciso levá-los para uma área da represa que fica a cerca de cinco quilômetros da sua propriedade. Na remoção, 20 toneladas de peixes morreram e restaram 61 tanques de tilápias.

Além da distância, Edimilson precisa dormir perto dos tanques, porque os piscicultores que levaram os peixes para longe de suas propriedades, estão sendo vítimas de ladrões. Para vender as tilápias, o criador improvisou uma esteira. A contagem, a pesagem e a venda são feitas no acostamento da rodovia. “Tenho que passar a noite aqui praticamente acordado, vigiando aquilo que é da gente”, relata.

Valter Lopes Moreira, que também é piscicultor, mas perdeu toda a produção com a baixa do lago, precisa comprar os peixes de Edmilson para atender os clientes. “Fiz um investimento alto e vou ter que me desfazer de tudo praticamente de graça, devido o problema da água. A gente não tem como trabalhar”, afirma.

Quem usa o lago para irrigar as lavouras também está sofrendo com a baixa do reservatório. Sebastião gerencia uma fazenda em Vargem Grande, com 150 hectares, onde 115 estão cobertos com feijão.

A lavoura foi plantada em fevereiro e deveria render 4,5 mil sacas, mas eles calculam uma safra de apenas 2,5 mil sacas. A irrigação foi prejudicada porque a água recuou mais de 300 metros da roça. “A gente estava esperando em torno de 30,35 sacas, mas vai dar 20, 22, no máximo”, afirma Sebastião.

Segundo a Associação dos 34 municípios banhados pelo lago de Furnas, o prejuízo para a economia da região já ultrapassa R$ 30 milhões.