Vítima de ônibus queimado por assaltantes em Varginha é transferida de hospital

A cobradora de ônibus que teve parte do corpo queimado após dois assaltantes atearem fogo no veículo em que ela trabalhava , em Varginha, foi transferida do Hospital Bom Pastor para o Hospital Humanitas nesta segunda-feira (18). Ana Paula Lemes, de 30 anos, está internada em estado grave depois de ter ficado com 70% do corpo queimado.

O crime aconteceu na noite deste domingo (17) no bairro Centenário. Além da cobradora, o motorista do coletivo também ficou ferido. Foi ele quem tirou Ana Paula de dentro do veículo e ajudou a apagar as chamas do corpo dela. Os dois suspeitos foram localizados pela Polícia Militar minutos depois do crime. Um rapaz de 19 anos foi preso em flagrante. Um adolescente de 17 anos também foi detido. Na delegacia eles assumiram a autoria do crime e disseram que colocaram fogo no ônibus em troca de uma pedra de crack. Segundo a polícia, o mandante do crime já foi identificado e pode ser preso a qualquer momento.

“Segundo os autores, um traficante teria fornecido a eles todo o material usado no crime. Ele teria mandado fazer isso em represália contra uma ação policial”, diz o delegado
Antônio Carlos

Ainda segundo o delegado, o pedido de internação do menor foi aprovado nesta segunda-feira. O adolescente deve permanecer cinco dias no Presídio de Varginha até que alguma vaga em um centro de recuperação do Estado seja encontrada.

O crime

Segundo a Polícia Militar, o motorista e a cobradora do ônibus foram surpreendidos por dois rapazes que fizeram sinal para que o veículo parasse e entraram como se fossem passageiros, mas em seguida anunciaram o assalto.  O suspeito de 19 anos e um menor de 17 anos entraram no ônibus armados com uma faca e segurando um galão de combustível. Antes que a cobradora pudesse entregar o dinheiro, eles atearam fogo no veículo.

Segundo depoimento do motorista, após o anúncio do assalto, a cobradora do ônibus foi até o caixa pegar o dinheiro, mas neste momento, o menor espalhou gasolina pelo veículo e riscou um fósforo, começando um incêndio. A cobradora foi atingida pelas chamas, mas conseguiu sair do veículo com o auxílio do motorista.

Em seguida, os suspeitos fugiram sem levar nada, mas foram detidos pela Polícia Militar logo depois. A dupla confessou o crime e disse que uma terceira pessoa teria dado uma pedra de crack para que em troca, eles colocassem fogo no ônibus, que ficou destruído. Imagens registradas por moradores mostram o veículo em chamas. O incêndio ainda atingiu a rede elétrica da rua, que entrou em curto-circuito, mas ninguém ficou ferido.

A cobradora Ana Paula Lemes, de 30 anos, foi socorrida pela Polícia Militar e levada até a Unidade de Pronto Atendimento de Varginha. Em seguida, ela foi transferida para o Hospital Bom Pastor em estado grave. O motorista João Campos Neto, de 47 anos, teve queimaduras na cabeça, no rosto e nas mãos, e não corre risco de morte.

Suspeitos do crime

De acordo com o delegado de Varginha, Antônio Carlos Butignon, os suspeitos foram encaminhados para a delegacia e vão responder por latrocínio tentado, já que houve a tentativa de assalto seguida de tentativa de homicídio. Ainda segundo o delegado, os suspeitos já haviam sido detidos várias vezes por outros crimes. O menor de 17 anos teve a primeira passagem pela polícia em novembro de 2010, quando tinha 14 anos. Ele tem passagens por furto, lesão corporal, danos, uso de drogas, receptação, roubo, perturbação do sossego e agressão.

Já o maior, de 19 anos, envolveu-se com a polícia pela primeira vez em novembro de 2011, quando ainda era menor de idade. Ele tem passagens por lesão corporal, porte ilegal de arma branca, receptação, danos, infração contra patrimônio, tráfico de drogas, roubo e furto.

Prejuízo

A empresa Autotrans, proprietária do coletivo incendiado neste domingo, disse que só vai se pronunciar sobre o caso após a conclusão das investigações. O prejuízo pela perda total do ônibus foi de cerca de R$ 300 mil, de acordo com a direção da empresa.