Em pauta é... Escondidos, mas jamais esquecidos

Lidar com imagem é um trabalho muito delicado. Repórteres cinematográficos e fotográficos devem ter muita atenção e concentração nas pautas jornalísticas. A imagem tem um poder enorme. Mostra a visão de quem esteve, naquele momento, no local dos acontecimentos e faz um "recorte" da situação.

Há um tempo atrás, esses profissionais eram comumentes chamados de fotógrafos e cinegrafistas ou os populares "camera-man". Hoje, a nomenclatura é outra. O termo repórter é mais justo. O jornalista que faz a reportagem e entrevista pessoas e autoridades tem a obrigação de levar a informação mais completa possível para o público e os repórteres fotográfico e cinematográfico também. Não basta apenas tirar uma foto qualquer ou gravar uma imagem sem sentido. As imagens também precisam conter informação. Por exemplo, imagine que as equipes de um veículo impresso e de um televisivo devam fazer uma reportagem sobre um incêndio. O repórter fotográfico do veículo impresso deve mostrar nas imagens o que aconteceu no local, para apoiar e complementar o material que vai ser redigido pelo repórter, entrevistador e apurador. Assim, espera-se que, nas fotos, vejamos o local do incêndio, a ação desenvolvida pelo Corpo de Bombeiros, enfim, um panorama da situação.

O mesmo é esperado do repórter cinematográfico, que deve buscar imagens com bons ângulos e que mostrem efetivamente o que aconteceu naquele local com o máximo de veracidade e informação possíveis. Foto e vídeo são mídias que têm linguagens diferentes e peculiares. Mas o importante é saber usar essas linguagens para que as informações sejam divulgadas de maneira correta e objetiva.

Nem toda reportagem rende imagens poéticas, como um pôr-do-sol ao fundo. Muito pelo contrário. O "hard news", como costumamos chamar o jornalismo diário e cotidiano, nos apresenta imagens relativamente comuns e rotineiras, porém, bastante informativas. Assim, é fundamental que repórteres fotográficos e cinematográficos caprichem na luz, nos filtros e nas técnicas para conseguir a melhor imagem dentro das condições e limitações existentes na pauta.

Alguns pontos são básicos para os dois profissionais como enquadramento correto das informações, imagens não tremidas e, principalmente, com o foco correto. No mais, além da luz, é claro, os repórteres devem ter atenção aos detalhes e à dinâmica das pautas para não perderem imagens importantes, como o salvamento de uma criança do tal incêndio, por exemplo.

Todo detalhe ajuda a contar uma boa história. Toda imagem bem feita também gera um impacto no público leitor e telespectador. O que não pode é a equipe de reportagem cobrir o incêndio e trazer para a redação fotos e imagens de árvores (a não ser que elas caiam por causa do incêndio), do céu, da paisagem e não do assunto central da pauta.

Seja sozinho, ou em meio a dezenas buscando a melhor imagem, seja esperando o acontecimento do século ou simplesmente marcando a delicadeza de um gesto, o repórter fotográfico tem um vínculo inquebrável com a informação.

São sempre vistos em ação com suas enormes máquinas e objetivas, mirados nos gabinetes ministeriais ou nos campos mais inimagináveis. Em meio à angústia, à dor, ao mórbido. Tudo isso passa a ser conhecido graças ao fotojornalista.

Poder ser considerado intruso é só uma parte do trabalho. A outra, apresenta ao mundo a figura que tenta retratar também a face não convencional do mundo. Amados ou odiados, mas engajados. Eles são, como diria o famigerado slogan do emblemático Repórter Esso: as testemunhas oculares da história.

E hoje, 2 de setembro, os holofotes voltam-se para quem diariamente está por trás das câmeras: o próprio fotojornalista. São eles, os homenageados de hoje, que mostram ao mundo tudo, até mesmo aquilo não seja coisa de capa.

Parabéns a todos aqueles que não medem esforços, que se dedicam, aperfeiçoam e buscam sempre registrar em imagens aquilo que por vezes não poderia ser dito ou compreendido apenas em palavras. A estes profissionais que enfrentam sol, chuva, riscos e temores para que por vezes, após horas de tentativas e espera pelo momento adequado, terem o melhor registro, deixo meu reconhecimento, carinho e admiração.

Um forte abraço a todos,

Renan Lenzi Silva
Jornalista, Gestor Público pela UNICESUMAR, Concluinte de Matemática pela UFSJ e graduando em Engenharia Civil pelo UNIS