Escândalos nas eleições se repetem no Brasil e têm desfecho incerto

Se for confirmado o relato do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, que teria acusado dezenas de políticos, entre congressistas, governadores e ministros, de envolvimento com um esquema de corrupção na estatal, o caso poderá se tornar o principal escândalo desta campanha eleitoral.

Segundo a revista Veja, os nomes (35, no total) teriam sido mencionados por Costa à Polícia Federal como parte de um acordo de delação premiada. A revista não deu detalhes sobre a denúncia exata e como estariam envolvidos os acusados. O jornal Folha de São Paulo afirma que foram citados mais de 60 políticos. Os mencionados que falaram sobre a reportagem negaram participação em qualquer esquema.

Até então, a maior polêmica da campanha dizia respeito à reforma do aeroporto da cidade de Cláudio, em Minas Gerais, feita pelo candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, quando ele governava o estado.

Uma reportagem da Folha de São Paulo revelou em julho que a obra, ocorrida em 2010, custou R$13,9 milhões e foi feita em terreno desapropriado de um tio-avô de Aécio, ao lado de uma fazenda do parente do tucano.

O caso ocupou o noticiário da campanha até ser eclipsado pela morte do presidenciável Eduardo Campos, em agosto, e a entrada de Marina Silva na disputa. Aécio afirma que não houve qualquer ilegalidade na reforma.

As últimas eleições também foram marcadas por escândalos surgidos às vésperas da votação. No entanto, nem todos surtiram efeitos nas urnas.

A BBC Brasil lista a seguir alguns dos principais casos ocorridos nos quatro últimos pleitos e seus desdobramentos.

2002: Caso Lunus

Em março de 2002, quando pretendia concorrer à Presidência pelo PFL (hoje DEM), a então governadora do Maranhão Roseana Sarney se viu no centro de um escândalo quando a Polícia Federal encontrou R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo não-declarado na sede da construtora Lunus, da qual era sócia com o marido.

Roseana despencou nas pesquisas eleitorais e, após apresentar várias versões para a origem do dinheiro, acabou desistindo da candidatura.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB) foram para o segundo turno, vencido pelo petista.

Em 2003, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes arquivou as denúncias contra Roseana por falta de provas.

2006: Máfia dos sanguessugas

Em maio de 2006, a Polícia Federal deu início à Operação Sanguessuga para combater fraudes em licitações na área da saúde.

Segundo a PF, congressistas recebiam propinas para incluir no Orçamento da União emendas para a compra de ambulâncias.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar o episódio lançou suspeitas sobre 69 deputados. Desses, 40 concorreram à reeleição no pleito de 2006, mas somente cinco se reelegeram.

Oito anos depois, as ações na Justiça contra o grupo de acusados – que inclui ainda funcionários de prefeituras e assessores parlamentares – ainda se desenrolam.

Cinco pessoas já foram condenadas, entre as quais um ex-deputado.

Lula disse que envolvidos no caso de documentos
forjados contra Serra eram 'aloprados'
2006: Dossiê dos aloprados

Em setembro de 2006, dois integrantes do PT foram presos pela Polícia Federal em São Paulo acusados de tentar comprar documentos forjados que ligariam o então candidato do PSDB ao governo paulista, José Serra, ao escândalo dos sanguessugas.

Minimizando a participação do PT no caso, o então presidente Lula chamou os envolvidos de um "bando de aloprados".

O caso não afetou a candidatura de Serra, que se elegeu governador estadual.

Em 2012, a Justiça aceitou a denúncia contra nove pessoas ligadas ao caso.

2010: Caso Erenice Guerra

Em setembro de 2010, a revista Veja envolveu a ex-assessora de Dilma Rousseff e então Ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, numa denúncia de tráfico de influência no governo federal.

Segundo a revista, Israel Guerra, filho de Erenice, cobrava propinas para facilitar negócios com o governo.

Erenice deixou o cargo em meio à disputa eleitoral, mas a denúncia não abalou a candidatura de Dilma, que venceu o pleito.

Em julho de 2012, a Justiça arquivou o caso por falta de provas.

2010: Quebra do sigilo fiscal da filha de José Serra

Em 31 de agosto, a Corregedoria da Receita Federal disse ter encontrado indícios de que o sigilo fiscal da filha de José Serra, Verônica Serra, havia sido quebrado.

Segundo a Corregedoria, também teriam sido alvos de quebras de sigilo outras três pessoas próximas a Serra: o então vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, o ex-diretor da Previ Ricardo Sérgio e o primo de Serra, Gregorio Marin Preciato.

O PSDB acusou o PT pelos casos e denunciou o partido ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por crime eleitoral, mas a corte rejeitou a denúncia. O PT negou as acusações.