Justiça começa a ouvir presos e testemunhas da 'Operação Jackpot'

A Justiça começa a ouvir nesta segunda-feira (1º) no Fórum de Varginha testemunhas e acusados detidos durante a "Operação Jackpot", da Polícia Federal, realizada em novembro de 2013. A operação teve como objetivo combater a prática do jogo do bicho na região. Ao todo, 40 pessoas serão ouvidas na audiência entre esta segunda e a terça-feira (2).

Em março deste ano, após quase dois anos de investigações, a Polícia Federal concluiu o inquérito da “Operação Jackpot”. Ao todo, 46 pessoas foram indiciadas e sete continuavam presas. Computadores, documentos e livros de contabilidade foram apreendidos.

Segundo o delegado João Carlos Girotto, três grupos atuavam há mais de 10 anos em Varginha, Elói Mendes, Três Pontas e Pouso Alegre. O barão do jogo era o bicheiro que comandava o esquema e os gerentes de fortaleza eram os responsáveis pelo recebimento do dinheiro e das apostas que vinham pelos recolhedores que passavam em motos por todos os pontos onde havia cambistas. Participavam do esquema também comerciantes, que recebiam até 25% do lucro líquido dos jogos. Além deles, três policiais davam apoio.

Ainda de acordo com Girotto, a organização criminosa arrecadou cerca de R$ 40 milhões em três anos. Entre os indiciados, estão 27 comerciantes que podem perder os estabelecimentos comerciais.

A operação

A primeira parte da “Operação Jackpot” ocorreu em novembro de 2013. Na ocasião, 37 pessoas tiveram a prisão temporária decretada, mas ao final de cinco dias, foram liberadas. No fim do mês passado, a PF realizou a segunda fase da operação, onde sete pessoas, entre elas três policiais civis, foram presas. Os outros quatro detidos já haviam sido presos na primeira fase da operação.

Para o promotor de Justiça de Combate ao Crime Organizado, Mário Antônio Conceição, o esquema favorecia também algumas empresas “de fachada”, que eram utilizadas para a lavagem do dinheiro obtido com os jogos de azar. “Apenas um dos investigados adquiriu cerca de R$ 27 milhões em três anos. As investigações apontam que eles compravam e vendiam imóveis e a partir destas atividades, traziam de volta o dinheiro para a circulação entre eles, o que configura lavagem de dinheiro”, explicou.

Os três policiais detidos foram levados para a  Corregedoria em Belo Horizonte. As outras quatro pessoas detidas foram levadas para a Penitenciária de Três Corações. Todos entraram com pedido de habeas corpus na Justiça, mas foram negados.

O nome da operação é uma referência ao termo utilizado na jogatina - um jackpot significa um prêmio grande, quando o jogador "quebrou" a banca.