Coluna - Ka entre Nós, por Lucrécia Santos - 11/11/2014

Não ao ódio e ao ressentimento 

Tempos atrás, em uma fazenda na qual havia uma serraria, um garoto, o filho do proprietário, brincava com as ferramentas do pai. Ele pegou uma cunha, que é um instrumento pontiagudo usado para fender materiais sólidos e resistentes, e a introduziu no tronco ainda em formação de uma jovem nogueira. Talvez o garoto quisesse fazer uma experiência, ou talvez quisesse testar a própria força. Por um motivo ou por outro, ele acabou indo embora em concluir o que começara. Pretendia voltar depois e remover a cunha da árvore, mas acabou se esquecendo do assunto e nunca mais voltou.

O tempo passou, o garoto cresceu e a árvore também. De alguma maneira, a nogueira parecia ter absorvido a cunha, ocultando-a em seu interior. E tornou-se uma árvore grande e majestosa. O garoto virou adulto, o adulto envelheceu, a serraria foi desativada e as pessoas sequer se lembravam de que um dia existira uma serraria naquela fazenda.

Certa noite houve uma terrível tempestade. No dia seguinte, o homem, que já era um senhor de cabelos brancos, saiu para ver os estragos. Para sua surpresa, notou que a nogueira havia se partido ao meio, enquanto outras árvores, menores e menos resistentes, tinham sobrevivido à tormenta. Ao se aproximar da nogueira, ele viu que havia uma cunha em meio ao tronco fendido. E então se lembrou da ferramenta que, há muitos e muitos anos, ele próprio tinha colocado lá.

O ódio e o ressentimento são como a cunha introduzida no trono de uma jovem árvore. A árvore pode crescer e aparentar força, vigor e saúde, mas está doente por dentro. A cunha a está fragilizando e apodrecendo pouco a pouco. E quando chegar o momento de enfrentar a tempestade, toda a sua fragilidade será irremediavelmente exposta.

Perdoar e não nutrir rancores é a única forma de remover a cunha que está minando nossas forças e nossa energia. Pense nisto.

O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões. (Provérbios 10:12)
Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. (I João 4:20)
E disse o Senhor: É razoável esse teu ressentimento? (Jonas 4:4)