Em pauta é... Trânsito: Uma aula de cidadania

Como tem sido comum presenciarmos a todo o momento cenas violentas no trânsito! As facilidades de aquisição de veículos através dos financiamentos a longos prazos têm levado as cidades ao caos da agitação, de acidentes e da poluição.

O que temos visto são pessoas dirigindo em alta velocidade, nervosas, xingando umas às outras, numa falta de controle total, principalmente nos horários de pico. Precisamos mudar esse quadro urgente, pois ficará impossível transitar nas cidades brasileiras daqui a alguns anos. É claro que isso acontece em razão da falta de preparo dos motoristas, bem como de políticas de conscientização que deveriam ser desenvolvidas pelos governantes, afinal, pagamos nossos impostos para isso. Quase nada tem sido feito diante da problemática.

É preciso criar, através da educação, a cultura do bem estar, do respeito ao próximo e do respeito ao meio em que vivemos. Dia 18 de novembro é o Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito, seria ótimo aproveitar esta data para dar início a algumas ações dentro das escolas. Para isso, trago este tema como sugestão, para que os professores possam abordá-lo nas aulas, na tentativa de criar uma consciência de boa convivência no trânsito, um aprendizado para a vida de seus alunos, que poderão levar para seus pais, parentes e amigos, na esperança de um mundo melhor.

Voltados ao tema transversal Trânsito na Educação, os educadores devem adotar uma proposta que garanta a organicidade do tema, nos diversos componentes curriculares. Dessa organização, esperam-se ações reflexivas e construtivas que resultem em programas de educação para a cidadania no trânsito, estratégias de implantação, sustentação e implementação, por meio da qual sejam desenvolvidas ações articuladas entre os vários segmentos da sociedade.

No entanto, devemos estar conscientes, acima de tudo, que o trânsito é visto pela sociedade como problema. O que é afeto ao trânsito? Tudo! Comércio, moradia, escola, emprego, lazer, hospitais, empresas, veículos, pessoas; tudo está ligado ao uso do solo, que, por sua vez, é malha das atividades por onde se deslocam as pessoas. Essa circulação, na maioria das vezes, ocorreu de maneira crescente, desordenada e mal planejada.

As cidades foram crescendo de forma acelerada. As ruas e avenidas, ao serem asfaltadas, foram se tornando estímulo à velocidade. A frota de veículos aumentou vertiginosamente, invadiu as cidades, pressionando o viário de tal forma que se tornou um inimigo do pedestre, ao compartilhar o espaço público. Já o pedestre, por sua vez, também se ocupa do viário de forma inadequada, gerando conflitos para sua mobilidade.

Em suma, o trânsito é inerente ao ser humano. O homem entra em contato com ele desde o seu nascimento, já que é a forma mais antiga de circulação de pessoas e de mercadorias. Através dos tempos, o homem se apropriou de diferentes condições de circulação, sendo ora motorista, ciclista, passageiro. Enfim, a modernidade trouxe ao homem a necessidade de se locomover com mais agilidade.

Por que ensinar trânsito?

Há inúmeras razões por que se deve ensinar trânsito nas escolas, entre elas, a mais importante é resolver o problema dos acidentes, das vítimas e das mortes.Consequentemente e, para colocar a escola nesse âmbito, a serviço da defesa do direito à vida e à dignidade, cumpre atender as exigências legais, estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro – CTB, que prima pela valorização do cidadão.

No Brasil, infelizmente, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 6 mil crianças, de 0 a 14 anos, morrem e outras 140 mil sofrem acidentes no trânsito anualmente.

Os dados de fatalidades no trânsito brasileiro são alarmantes. Segundo dados de pesquisa, o trânsito causa:

- Mais de 35 mil mortes por ano;

- Mais de Seis mil são crianças de zero a 14 anos de idade;

- Mais 100 pessoas morrem, em média, por dia;

- Mais 90% dos acidentes ocorrem por culpa dos motoristas.

Os fatores principais que levam aos acidentes de trânsito são: exceder a velocidade permitida e alertada pela sinalização; não usar o cinto de segurança; dirigir alcoolizado; dirigir drogado; praticar violência por intolerância; dirigir falando ao celular; conduzir o veículo com sono; deixar faltar a atenção ao dirigir; entre outras. Tudo isso, justifica a urgência de se ensinar trânsito nas escolas.

Por isso, os PCN sugerem a Educação no Trânsito como tema local, a ser trabalhado e incorporado nos currículos escolares, pois está vinculado a questões sociais, à construção da cidadania, envolvendo diferentes aspectos da convivência coletiva, portanto, ela promove a interação de questões da vida real com os saberes escolares.

No mês de setembro, ocorre a Semana Nacional de Trânsito, momento em que as ações escolares voltadas para a educação no trânsito são intensificadas. Nesse período, são abordados fatos relevantes, como algum acidente ocorrido nas imediações da escola, ou com grande impacto no Estado ou no país. Em geral, o tema trânsito ainda é bem pouco explorado no cotidiano pedagógico de várias escolas, no restante do ano letivo.

Sendo a escola uma instituição educativa que visa à aprendizagem por meio de valores positivos para a formação integral do indivíduo, não se deve omitir a responsabilidade de educar seus alunos para a utilização do ambiente trânsito.

Criando na sala de aula um espaço de discussão, pesquisa, trabalhos em grupos e atividades lúdicas o professor conseguirá ótimos resultados, além de criar a consciência de cidadania em seus alunos, que jamais se esquecerão dos conceitos abordados e apreendidos, ou seja, acontecerá o saber em função da boa convivência e da vida.


Renan Lenzi Silva
Jornalista, Gestor Público pela UNICESUMAR, Concluinte de Matemática pela UFSJ e graduando em Engenharia Civil pelo UNIS