Igrejas

Sei que já escrevi sobre a santidade e a necessidade de nos conscientizarmos que, por vezes, teremos de trilhar um caminho de poucos; tendo em vista que a maioria das pessoas e igrejas foram absorvidas pelo mundo e se afastaram do Senhor e de seu real propósito.

Originariamente, as igrejas deveriam ser edificadas segundo o fundamento de Cristo, e ser criadas para transformar o mundo, implantando o Reino de Deus entre nós. No entanto, muitas foram tragadas pelo mundo e se transformaram em instituições malignas, afastando-se do propósito de sua existência, qual seja: propagar a mensagem de Deus aos homens; exigir a prática de boas obras, arrependimento e conversão; além de ensinar que a salvação se dá pela fé em Jesus Cristo, nosso único Senhor e Salvador (Jo 14.6: “Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai, a não ser por mim” e At 4.12: “E não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há outro nome entre os homens pelo qual devamos ser salvos”).

Que adianta estarmos cheios de práticas religiosas se não temos a presença de Deus em nosso meio? Isso, sem dúvida, colabora para a rejeição das igrejas na sociedade. Enquanto deviam pregar a salvação, a cura e a libertação através de Jesus; oprimem o povo com contraexemplos e a cobrança exacerbada de dízimos. As igrejas não convencem mais porque muitas delas estão cheias de pecado: pedofilia, corrupção, exploração financeira. Há um verdadeiro abismo entre algumas igrejas atuais e as antigas, do tempo dos apóstolos. Aquelas exortavam os homens à santificação (Cl 1.22: “agora ele vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de vos apresentar santos, inculpáveis e irrepreensíveis diante dele”), mas as atuais se corrompem frente à ganância desmedida, esquecendo-se das verdades essenciais do Evangelho.

O perigo das igrejas se mundanizarem é que o mundo se assenta no maligno (1 Jo 5.19: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”). As igrejas nunca deveriam se espelhar no mundo, cheio de pecados e enganos, e sim em Cristo, modelo de santidade. As igrejas antigas pregavam que deveríamos buscar a Jesus e nos identificarmos com Ele (At 5.42: “E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de anunciar Jesus, o Cristo”). As igrejas modernas, inúmeras delas, pregam a teologia da prosperidade e dos altos dízimos; portando-se como intermediárias entre os homens e Deus, numa desavergonhada barganha de orações e graças por dinheiro e bens.

O cristão genuíno não deve compactuar com tais práticas, mas se indignar e denunciar os abusos cometidos dentro das igrejas. Nosso silêncio e omissão fazem com que o mal se alastre e multiplique. Nós não precisamos mudar o mundo, mas nem tampouco nos identificar com ele. Devemos sim é buscar a santidade, transformando-nos intimamente; revestindo-nos da natureza do próprio Deus (Cl 3.12-14: “Então, como santos e amados eleitos de Deus, revesti-vos de um coração cheio de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência, suportando e perdoando uns aos outros; se alguém tiver alguma queixa contra o outro, assim como o Senhor vos perdoou, também perdoai. E, acima de tudo, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição”).

As práticas religiosas sem a presença do Senhor são inúteis; não nos levam à salvação. Somente igrejas santificadas, erigidas sobre os ensinamentos de Cristo, podem fazer dos homens e mulheres do mundo, santos de Deus!


Maria Regina Canhos
(Escritora)

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