Em pauta é... A Política e a Juventude

O que mais tem sido dito é que a política precisa de renovação. Assistimos os velhos costumes que existem desde a época de Getúlio ou da colonização. Estamos iniciando mais um mandato para cargos do executivo e legislativo. Mudar é preciso, sem dúvida. Mas a renovação requer bem mais que a troca de nomes, além disso, é fundamental que mudem os sobrenomes ou apadrinhamentos.

É notório que a política ganha novos personagens a cada ano, mas os interesses populares deveriam ir mais além. As práticas na política também devem ser mudadas. É necessário plantarmos sementes e semearmos um futuro digno para um país que tem tido um quadro absurdo de escândalos e desvios de dinheiro público.

Deste modo, a motivação com bons exemplos de honestidade e ética que existem ou existiram devem ser resguardadas. O jovem é o oxigênio da vida pública. A formação do caráter é algo que deve ser aprendido desde a Escola. Assim como o bom exemplo de cidadão bem informado. O aluno deveria ter um nicho de formação política a ser conferido pelas transformações sociais inerentes da vida humana.

O universo político é mais abrangente que um simples pleito eleitoral. O sistema está dentro do nosso cotidiano. O preço do tomate para a dona de casa, o aumento dos impostos para o empresário, o sistema educacional para os jovens e a saúde dos idosos. Exemplos práticos do quanto devemos ter uma postura digna de boa cidadania com acompanhamento continuado.

É triste ver milhares de jovens desestimulados com a política. No entanto, torna-se plausível pela quantidade de obras superfaturadas e partidos sem constituição popular de ideologia. Mas não existe momento melhor que o atual para revertermos o quadro. Respiramos política para todos os lados. Desde o ginásio ao diploma na graduação. A utopia da juventude pelas mudanças dignas é o esteio de uma sociedade decente.

Vale ressaltar que é muito comum se ouvir comentários de que a juventude hoje não se interessa por política, que é uma geração apática, alienada e consumista que passa a maior parte do seu tempo na frente da TV.

Além disso, há inúmeras comparações da atual geração de jovens com aqueles que viveram os anos de ditadura no Brasil na década de 1960 e 1970. Com um tom de saudosismo se diz que a juventude já não é como antes, que saía às ruas para protestar contra a repressão do governo e se arriscava em associações clandestinas para lutar pela liberdade de expressão e pela democracia.

Aqueles que estão convencidos de que isso é verdade, podem se surpreender. Recentemente, o IBASE e o Instituto Polis lançaram o resultado da pesquisa Juventude Brasileira e Democracia: participação, esferas e políticas públicas que ajuda a desmistificar essa apatia da juventude.

Foram entrevistados oito mil jovens em 07 regiões metropolitanas brasileiras. Alguns dados interessantes:
  • 28,1% dos(as) 8 mil jovens entrevistados(as) faziam parte de algum grupo;
  • 85,8% dos jovens afirmaram se informar sobre o que acontece no mundo;
  • 89% dos jovens acreditam que as pessoas devem se unir para defender seus interesses;
  • 85% dos(as) entrevistados(as) disseram que é preciso abrir canais de diálogo entre cidadãos(ãs) e governo.

É fato que muitos jovens que desejam participar mais não sabem como fazer. Participação política pode ser bem mais do que votar em uma eleição. Esta é apenas uma das formas, por isso é muito importante tornar público quais os espaços já existentes e de que maneiras é possível participar!


Renan Lenzi Silva
Jornalista, Gestor Público pela UNICESUMAR, Concluinte de Matemática pela UFSJ e graduando em Engenharia Civil pelo UNIS
renanlenzisilva@gmail.com