Em pauta é... O Discurso da Presidente

Infelizmente a presidente ainda não aprendeu a assumir os erros de seu governo e evitou falar sobre a crise com os desvios na Petrobras. O que podemos notar através do tom e na forma e de se expressar, é que mais parecia um capítulo do programa da Dilma candidata. Frustrou o Brasil ao não fazer o mea culpa dos erros cometidos e não teve a coragem de anunciar as ações que o governo vai ter que tomar para vencer as mazelas decorrentes da herança, que ela deixou para si própria. Preferiu o velho escapismo da inexistente crise internacional".

A presidente perdeu uma grande oportunidade de falar a verdade para a nação. Deveria ouvir menos os marqueteiros e sentir mais o pulso do brasileiro, que sente na pele a crise econômica promovida pelo seu Governo. A campanha acabou. O País está mergulhado numa grave crise econômica, política, ética e moral gerada pelo Governo Dilma e a presidente convoca cadeia nacional para terceirizar a responsabilidade. É como se ela não tivesse nada a ver com isso. A culpa é da imprensa, da seca e da crise internacional?.

O que podemos notar é que a gestão Dilma continua a mesma. Mas houve um grande enriquecimento nas palavras da presidente.  A pretexto de celebrar o Dia Internacional da Mulher, Dilma levou ao ar seu primeiro pronunciamento em rede nacional desde a posse. Decorridos 67 dias do segundo mandato, ela finalmente restituiu ao vocabulário palavras que havia proibido seus lábios de pronunciar —“sacrifícios, problemas, aumentos, paciência…”

Dilma ainda não descobriu o significado do vocábulo autocrítica. “Nem de longe a crise é nas dimensões que dizem alguns'', declarou. Mas ela já admite, à sua maneira, que aquele Brasil róseo que vendeu na campanha presidencial era mesmo um país de fábula. A conversão da presidente à realidade foi, porém, parcial. Ela embrulha as palavras para presente. Os problemas são “conjunturais”, os aumentos são “temporários”, os sacrifícios são “suportáveis''…

Em todos os momentos da campanha eleitoral a então candidata Dilma acusava o candidato tucano, Aécio Neves, de tramar “medidas impopulares”. Não foi necessário esperar muito tempo para o povo brasileiro descobrir quem realmente tomou as medidas, em apenas quatro meses Dilma assiste ao derretimento da própria popularidade.

A presidente ainda declarou que os efeitos naturais são um dos maiores causadores de todos os problemas que nós brasileiros e brasileiras estamos enfrentando. “Há ainda a coincidência de estarmos enfrentando a maior seca da nossa história, no Sudeste e no Nordeste”, queixou-se Dilma. “Entre muitos efeitos graves, esta seca tem trazido aumentos temporários no custo da energia e de alguns alimentos.”

Uma situação preocupante e que deveria, e muito, ser levada em conta pela presidente, é que segundo Pesquisa Datafolha divulgada no início de fevereiro, a cada dez brasileiros, seis avaliam que Dilma mentiu durante a campanha. Dos 60% que a consideram mentirosa, 46% acham que ela disse mais mentiras do que verdades.

O que sinceramente não entendo, é como a presidente teve coragem de pedir paciência e compreensão a todos e o que é pior, tratou a situação, esse caos no qual estamos vivendo como uma simples situação passageira.

Dilma culpa as manchetes pelo envelhecimento precoce de sua administração. “Os noticiários são úteis, mas nem sempre são suficientes. Muitas vezes até nos confundem mais do que nos esclarecem.” A presidente considera-se digna de elogios pela valentia: “…decidimos, corajosamente, mudar de método e buscar soluções mais adequadas ao atual momento. Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmensuradas ao governo.”

Em plena dificuldade em sua gestão e com uma impopularidade em alta, cabe agora a presidente vender um sonho, o qual ela chamou de “a construção de um novo Brasil”. O que me deixou curioso e ao mesmo tempo decepcionado, foi a forma com que Dilma tratou da encrenca revelada pela Operação Lava Jato, dos nomes mencionadas de seus colegas petistas e demais de sua coligação, da quantia de roubo levantada, ou seja, de toda a pouca vergonha que fizeram com o país, ela simplesmente não adentrou ao mérito.

Com essa postura, a presidente joga no chão a possibilidade de restaurar a mínima credibilidade ao seu Governo. O que é lamentável, pois um Governo pode perder popularidade. Mas, quando um Governo perde credibilidade é o pior dos mundos". A julgar pelos protestos exibidos na internet e panelaços em BH e São Paulo,  Dilma não agradou.


Renan Lenzi Silva
Jornalista, Gestor Público pela UNICESUMAR, Concluinte de Matemática pela UFSJ e graduando em Engenharia Civil pelo UNIS