Mais sobre as palavras

Certa vez, li algo muito interessante acerca do processo de ensino e aprendizagem que me marcou. O personagem da estória era um menino alegre e criativo. Ele adorava desenhar. Um dia, a professora pediu que os alunos desenhassem uma árvore. O menino, todo feliz, começou a usar sua imaginação para criar a melhor árvore do mundo, bem grande e colorida. A professora, passando ao seu lado, disse que a árvore não poderia ser tão grande nem tão colorida. Ele diminuiu o tamanho do desenho e também as cores empregadas, mas continuou mantendo a árvore com o caule roxo e a copa avermelhada. A professora se escandalizou e disse que aquilo não era uma árvore, que ele deveria fazer o caule marrom e a copa verde. O menino insistiu que do jeito dele era mais bonito e alegre, mas ela rebateu dizendo que ele não sabia desenhar. Muitos anos se passaram e, até hoje, quando pedem para esse menino (já adulto), desenhar uma árvore, ele a faz com o caule marrom e a copa verde. Seu talento criativo foi soterrado na infância.

Assim como esse menino, várias pessoas têm a alegria, a motivação, a autoestima e a iniciativa ceifadas por duras palavras. Deveríamos refletir acerca do que falamos ao irmão para não desanimá-lo. A Bíblia diz que “palavras suaves são como favos de mel, doçura para a alma e saúde para o corpo” (Pv 16.24). Por que saúde para o corpo? Porque as palavras têm o poder de destruir a nossa saúde, principalmente a emocional. Como psicóloga, pude testemunhar o efeito das palavras na vida de inúmeras pessoas que passaram pelo meu consultório. Muitos não tiveram sorte e lamentaram como o salmista: “afiaram a sua língua como espada, e armaram por suas flechas palavras amargas” (Sl 64.3).

A busca por palavras doces, no entanto, não pode servir para nos deixar cativos dos bajuladores, pois “cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobre” (Sl 12.2). O coração dobre é aquele que ilude as duas partes; fingido, traiçoeiro. Muita gente é assim. Usa palavras doces para ganhar a confiança do próximo, mas por detrás... Por isso, devemos manter a humildade e o discernimento acerca de nossos defeitos e qualidades; lembrando sempre que “os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite” (Pv 12.22).

A ideia é que os cristãos se auxiliem mutuamente com palavras edificantes e motivadoras. É assim que acontecia antigamente: “exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como na verdade o estais fazendo” (1Ts 5.11). Nossos irmãos precisam da nossa compreensão e apoio: “exortamo-vos também, irmãos, a que admoesteis os insubordinados, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos” (1Ts 5.14).

Finalizando este texto sobre as palavras, cumpre orientar o crente a buscar sempre a palavra por excelência, que é a Palavra de Deus, contida na Bíblia Sagrada. “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2Tm 3.16-17). Referindo-nos à Palavra, cabe ainda citar Hebreus 4.12: “a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. Concluindo, palavra é coisa séria!


Maria Regina Canhos
(Escritora)

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