Brasil entra em recessão

O Brasil está oficialmente em recessão. O produto interno bruto, que é a soma dos bens e serviços produzidos no país, recuou 1,9%, no segundo trimestre. Essa foi a segunda queda seguida do PIB trimestral. E a maior desde o primeiro trimestre de 2009. Números que mexem com a vida dos brasileiros.

Sexta-feira, 28 de agosto, Centro do Rio de Janeiro, prédio do IBGE. Sala lotada para um anúncio muito aguardado. Cada repórter só pode olhar o papel às 9h, ao mesmo tempo. E todo mundo quer dar a notícia primeiro: qual o resultado do PIB no último trimestre?

Os números apresentados traduzem a realidade e podem ajudar a apontar novos caminhos. Eles são como peças de um quebra-cabeça que, montado, revela o atual estado da nossa economia.

Em relação ao primeiro trimestre do 2015, o consumo do governo subiu 0,7%. Já o consumo das famílias caiu 2,1%. Os investimentos que os empresários fazem em suas indústrias caíram 8,1%. Essa peça em especial é importante porque ela é como uma janela para o futuro. Quando os empresários param de investir, a nossa perspectiva de crescimento diminui.

“Os empresários não veem perspectiva de demanda a curto e médio prazo. No momento que eles conseguirem enxergar que existe demanda à frente, eles vão voltar a investir”, afirmou o economista Regis Bonelli.

O setor de serviços encolheu 0,7%. A indústria encolheu 4,3%. E a agropecuária, menos 2,7%. E com a moeda desvalorizada, as exportações cresceram 3,4% e as importações recuaram 8,8%. Juntando as peças desse quebra-cabeça, uma queda de 1,9%.

Pelo segundo trimestre consecutivo, o Brasil está em recessão.

“As consequências práticas é que o nível de emprego diminui, as pessoas consomem menos e as empresas investem menos. Eu acho que não existe saída fácil, não existe remédio que não seja amargo pra esta situação”, declarou Regis Bonelli.