Café Solúvel Brasília é vendido para grupo paulista


Foi assinada na quarta-feira (23/9) a venda da Empresa Café Solúvel Brasília, de Varginha, para um grupo paulista. A torrefadora de café atuou mais de quatro décadas na cidade sulmineira, mas fechou as portas em 2014, deixando centenas de funcionários sem receber salários e encargos trabalhistas. Com a venda, os trabalhadores devem começar a receber os direitos atrasados.

Pelas negociações, a empresa de Café Três Marias, de São Paulo, assume a dívida da Café Solúvel Brasília, que passa de R$ 12 milhões. O dinheiro vai para as verbas rescisórias, salários, FGTS e ticket alimentação, que não foram pagos aos cerca de 260 ex-funcionários.

A torrefadora não depositava o fundo de garantia dos funcionários há mais de sete anos. Para o fiscal de prevenção Marco Leite Moreira, a situação só não foi pior porque recebeu o seguro desemprego.

“Eles pediram para que a gente ficasse um tempo em casa e logo depois, na faixa de uns trinta dias, eles avisaram que a fábrica seria fechada”, diz Moreira. “É um momento tenso, porque você está estabilizado e de repente tem que começar tudo de novo. Eu tive que ficar recebendo seguro desemprego. Depois de cinco meses recebendo, que eu fui correr atrás de outro emprego”, completa o fiscal de prevenção.

O pagamento da dívida será dividido em três anos. No dia 08 de outubro, será pago o valor de R$ 3 milhões, que é uma entrada, e mais a primeira parcela de R$ 2,5 milhões. Os outros R$ 6,97 milhões serão pagos até 2018. “Com estas negociações, os trabalhadores, na pior das hipóteses, não saem no prejuízo, como aconteceria no caso de uma falência”, afirma Oswaldo Teófilo, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação.

A Café Três Marias já foi a maior cliente da torrefadora de Varginha. Cerca de 70% de toda a produção ia para o grupo paulista. Na negociação, foram adquiridos os prédios, as máquinas, equipamentos e o terreno. A marca Café Solúvel Brasília, no entanto, continua sendo dos antigos donos.

Segundo os administradores do grupo, as operações na torrefadora devem começar nos próximos 45 dias. “Tem muita coisa pra ser feita, mas a gente acredita que a fábrica começa a funcionar, talvez, na Torre 2, que é a torre menor, daqui a um mês e meio, e na outra torre daqui a três meses, três meses e meio”, conta o empresário Roberto Penteado de Camargo Ticoulat.

De acordo com o empresário, os ex-funcionários terão prioridade nas contratações. “Eu posso dizer que o quadro de funcionários da Café Solúvel Brasília é um dos melhores quadros de técnicos que nós temos no mercado no Brasil. Então não há razão nenhuma de nós não contratarmos uma grande maioria dos funcionários”, conclui.