Detentos recebem atendimento virtual de defensoria em Varginha

A tecnologia está ajudando detentos do Presídio de Varginha (MG) a conseguirem atendimento junto à Defensoria Pública. Com apenas um defensor atuante na área criminal, o órgão criou a consultoria virtual. O projeto está em fase de testes.

"Eu posso atender o preso a qualquer hora, a qualquer instante, estando aqui na minha sala dentro do horário comercial, evidentemente, mas eu posso atendê-lo normalmente", conta o defensor Rodrigo Murad do Prado.

Agilidade no atendimento
Até junho deste ano, Murad acompanhava sozinho cerca de 3 mil processos. Além disso, para chegar ao presídio, era obrigado a fazer um percurso de 10 km. Com o auxílio da internet, ele economiza tempo e, assim, agiliza os atendimentos.

Maurílio Teixeira Caixeta, cumprindo pena por tráfico de drogas há sete anos, a novidade trouxe mais segurança. "Só de você perceber que você está sendo bem assistido, eu acho que dá um ânimo a mais para poder voltar realmente para sociedade. Às vezes um atendimento para você saber o dia de um julgamento de um recurso, melhora a sua semana, melhora o seu humor, melhora aos seus afazeres dentro da cela", avalia.

E essa melhora no humor dos detentos é percebida pelo diretor do presídio, Rodolfo Correa Bandeira. "Está refletindo diretamente na segurança da unidade prisional. Porque eles, a partir desse atendimento, ficam mais calmos, abaixa um pouco a ansiedade deles e, com isso, o dia a dia da unidade prisional ficou muito mais tranquilo", comenta Bandeira.

Mapa da Defensoria Pública
Segundo o Mapa da Defensoria Pública, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil precisaria ter, pelo menos, 8.489 defensores, mas possui apenas pouco mais de 5 mil. A pesquisa ainda mostra que Minas Gerais é um dos estados com maior déficit, com menos de 600 vagas preenchidas, quando número disponível chega a 2.200.