Varginha realiza Muro das Lamentações e Árvore da Esperança

1ª Oficina de Futuro do Programa Cultivando Água Boa 
houve moradores do entorno do Ribeirão Santana.


Moradores da microbacia do Ribeirão Santana apresentaram problemas e também sugestões para uma realidade melhor durante a realização da 1ª Oficina de Futuro do Programa Cultivando Água Boa (CAB) que aconteceu na tarde de sábado, 27, no salão da Igreja Matriz do Mártir São Sebastião, em Varginha. O público ficou aquém do esperado pelo Comitê Gestor, porém, a representação foi de fundamental importância para o projeto, pioneiro no estado de Minas Gerais.

A abertura contou com a apresentação da dupla de humoristas Boka Mole e Keixada que destacou três pilares para o avanço do CAB: envolvimento, transformação (trabalho coletivo) e resultado positivo. Padre José Roberto, pároco da Paróquia do Mártir, lembrou do tema da Campanha da Fraternidade desse ano: “Casa Comum, nossa responsabilidade” com o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24) que refere-se à responsabilidade social para a preservação ambiental. “A cada três minutos uma criança morre por falta de água potável”, ressaltou o padre. Autoridades saudaram a plateia. Luiz Eduardo Carvalho Costa, Gerente da Divisão de Apoio Operacional Sul falou pela Copasa. Representando o prefeito Antônio Silva, o secretário de Meio Ambiente, Joadylson Barra Ferreira voltou a reafirmar o compromisso da Administração Municipal com ações efetivas em prol do meio ambiente.

Logo em seguida, começaram as atividades da Oficina, conduzidas pela Educadora Ambiental Norma Hofstaetter Barros, com a etapa “Muro das Lamentações” quando moradores e trabalhadores da comunidade do Ribeirão Santana puderam apresentar o que consideram problemático na região como dejetos de animais sendo direcionados para os mananciais; falta de mudas para recompor as nascentes; curvas de nível sem manutenção; lixo sendo jogado na zona rural vindo da cidade e Conselho Comunitário desativado.

Na etapa seguinte, Árvore da Esperança, foram apresentadas as propostas como cercamento das nascentes para que os animais não cheguem perto e contaminem a água; ter acesso às mudas; instalação de lixeiras e coleta de lixo frequente e a reativação do Conselho Comunitário para maior representatividade. Maria Dominghetti, proprietária da Fazenda Ribeirão Santana, disse que é necessária mais fiscalização para que todos se engajem em ações eficazes e não isoladas. A propriedade dela tem quatro nascentes. “Em parceria com a Pedreira Santo Antônio preservamos todas”. Algumas pessoas da comunidade convidadas disseram que não tem interesse no Programa, pois daqui a 30 anos já não vão mais estar aqui. O alerta vai justamente para a população em geral que tem o compromisso urgente de preservar a natureza. Para o piscicultor José Carlos, o CAB demorou para chegar em Varginha. “Com essa recente grave crise hídrica, vimos muitas minas secarem na região do Ribeirão Santana”, lamenta, lembrando que quando era criança nadava no local.

Os trabalhos desse encontro de sábado foram conduzidos por Norma Hofstaetter Barros, que trabalha no Programa há 13 anos. Ela veio do Sul do país com experiência do Convênio com Conselho dos Municípios Lindeiros/Itaipu. “Nós queremos deixar algo bom para as gerações futuras”, disse em relação à água e água de qualidade. Norma enfatizou que nos dias 18 e 19 de abril todas as cidades envolvidas no CAB vão estar representadas num encontro. A Copasa vai enviar uma comitiva de 10 pessoas, entre elas, o secretário Municipal de Varginha, Joadylson Barra.

Avanços

Joadylson enumerou algumas ações que demonstram avanço da preservação ambiental em Varginha. “Instalamos oito lixeiras na zona rural e um caminhão faz a coleta periodicamente”, explicou. O próximo passo, de acordo com o gerente da Divisão de Operação e Manutenção Sul da Copasa, Luiz Eduardo Carvalho Gomes, será um encontro do Comitê Gestor para avaliar o CAB em Varginha.

CAB em MG

O Programa Cultivando Água Boa já está em 18 municípios mineiros, a maioria inclusive com o Comitê Gestor formado – que permite uma articulação mais efetiva e imediata. Varginha, como pioneira no recebimento do CAB, vai sediar nos dias 18 e 19 de abril, um encontro de todas as cidades do Estado envolvidas no Programa.

CAB

O CAB é um conjunto de ações voltadas à quantidade e qualidade das águas; proteção, recuperação e conservação dos solos e da biodiversidade; melhoria dos fluxos ambientais, em sistemas de produção diversificados e limpos; na educação ambiental e na melhoria da qualidade de vida, principalmente dos segmentos socioambientalmente vulneráveis. O programa desperta a necessidade da sustentabilidade planetária que exige, urgentemente, novo comportamento da sociedade; é referência para ações, em outras Bacias Hidrográficas nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, principalmente a partir de cooperações e intercâmbios técnicos com prefeituras, associações e ONG’s. O CAB é vencedor do prêmio Água para a Vida (do inglês Water For Life), da ONU Água, na categoria de melhores práticas de gestão de recursos hídricos.