Governo quer se reunir com produtores de café e representantes da indústria na próxima semana para discutir importação


O secretário de Política Agrícola, Neri Geller, do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), quer se reunir no decorrer da próxima semana com produtores de café e representantes da indústria a fim de buscar um consenso acerca das importações de café robusta ou conilon brasileiro.

A proposta de importação de café robusta do Vietnã foi feita por representantes da indústria de café solúvel e torrado e moído ainda em novembro. O Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo, tem apresentado consecutivas quebras na safra de conilon no Espírito Santo, que tem a maior produção da variedade no país, e foi afetada pela seca. No entanto, o CNC (Conselho Nacional do Café) e a CNA (Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), entidades representativas do setor, são contrárias a proposta.

Nos últimos meses, com a escassez do grão para a produção de seus produtos, a indústria brasileira de café usou alguns tipos de café arábica de menor qualidade como substitutivo. Em algumas praças, o preço do conilon brasileiro chegou a ser negociado por valor maior que o arábica. Em outubro, o Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, superou o Indicador do arábica e chegou a mais de R$ 520,00 a saca de 60 kg. Nesta quinta, estava em 489,56 a saca.

Segundo o Valor, Geller recebeu ontem (7) ligação do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, reforçando o pedido das indústrias para a importação. "Não vamos abrir importação sem sentar com todo o setor, mas vamos fazer o que precisa ser feito", disse ao jornal. "Temos que avaliar se a indústria está sendo prejudicada, não podemos deixá-la quebrar", reforçou o secretário demonstrando imparcialidade no assunto.

O ministro da agricultura, Blairo Maggi, segundo o jornal, se mostra favorável à importação, mas o assunto ainda não é consenso com outros membros da pasta. Caso seja aprovada, a medida pode gerar um conflito com as entidades do setor, CNC e CNA, que são completamente contrárias a qualquer tipo de importação de café verde pelo Brasil.

"Somos reticentes quanto à importação do café verde em regime de drawback – voltado ao beneficiamento e posterior exportação – e aos impactos que a operação poderá ocasionar aos produtores brasileiros. Nosso intuito, nesse cenário de debates, é evitar medidas surpreendentes e tomadas à revelia do consenso do setor privado", disse o CNC em informativo recente. Eles ainda alegam que uma solução para o assunto seria aumentar o volume de arábica nos blends.

Na segunda-feira (19), cafeicultores brasileiros e lideranças do sertor se reúnem no CCCMG (Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais), em Varginha, para discutir o assunto. Eles são contrários à proposta da indústria.